Carlos Sainz facilitou a vida da Ferrari na F1

Carlos Sainz facilitou a vida da Ferrari na F1

Carlos Sainz facilitou a vida da Ferrari na F1




Carlos Sainz no GP da Austrália

Carlos Sainz no GP da Austrália

Foto: Ferrari / Twitter

A Ferrari ficou marcada na memória de muita gente – especialmente na dos brasileiros – por ser uma equipe que trabalha com primeiro e segundo piloto bem definidos e faz de tudo para que o piloto favorito vença. Isso se deve, principalmente, aos períodos das duplas Schumacher-Barrichello e Alonso-Massa, quando aconteceram as famosas ordens de equipe – coincidentemente, prejudiciais aos brasileiros. Mas esse comportamento não é uma constante na equipe vermelha.

Em diversos momentos, a Scuderia deu liberdade para seus pilotos disputarem. Os últimos títulos da equipe, inclusive, vieram em um período assim. Felipe Massa e Kimi Raikkonen, quando colegas, tiveram autonomia para correr. O combinado era que aquele que chegasse ao terço final do campeonato à frente teria preferência nas etapas decisivas. Raikkonen chegou nessa condição em 2007 e foi campeão. Em 2008, Massa teve a vantagem, e acabou perdendo o título no apagar das luzes. Nos dois anos, a equipe foi campeã entre os Construtores (ok, em 2007 foi por conta da desclassificação da McLaren, mas o título vale da mesma forma). 

A dupla composta por Massa e Raikkonen disputava, mas isso nunca chegou a ser um problema interno. O mesmo não pode ser dito da histórica parceria entre Gilles Villeneuve e Didier Pironi, companheiros de Ferrari entre 1981 e 1982. Os dois protagonizaram uma disputa tão intensa que causou traumas na equipe italiana. Tudo começou quando se desentenderam feio depois de trocar posições na briga pela vitória do GP de San Marino de 82, em Ímola, romperam relações e criaram um clima pesado dentro da equipe. Semanas depois, Villeneuve faleceu em acidente na classificação para o GP da Bélgica, em Zolder. No mesmo ano, Pironi sofreria um acidente em Hockenheim que encerraria sua carreira na F1. Um ano que tinha tudo para ser de glória para equipe, se transformou em tragédia. 

Mesmo mais recentemente, a Ferrari tem dado autonomia a suas duplas. Quando Charles Leclerc se juntou ao time, em 2019, seria até esperado haver uma hierarquia, já que ele seria colega de Sebastian Vettel, um tetracampeão mundial. Mas Leclerc, mesmo com apenas 21 anos, se impôs e derrotou o experiente parceiro. 

Depois, em 2021, já adaptado e respeitado, Leclerc tinha tudo para ser o alfa quando Carlos Sainz chegou sem tanta badalação. Sainz, no entanto, foi consistente e bateu Leclerc, sem que houvesse nenhum tipo de interferência da equipe para garantir alguma preferência ao monegasco. 



Leclerc e Sainz tiveram desempenho parelho em 2021

Leclerc e Sainz tiveram desempenho parelho em 2021

Foto: Ferrari / Twitter

Eis que chegamos a 2022…
Após anos de espera, a Ferrari chegou para a temporada com um carro bastante promissor, com potencial para bater de frente com a Red Bull do atual campeão Max Verstappen. E foi inevitável que surgisse a dúvida: será que Sainz e Leclerc repetiriam o equilíbrio de 2021? Será que ter dois pilotos tirando pontos um do outro poderia ser um problema no futuro? A Ferrari teria que optar por dar preferência a algum de seus pilotos em algum momento? 

Logo na abertura da temporada, Leclerc fez a pole e venceu, com Sainz em 2º. Na corrida seguinte, novamente Leclerc chegou à frente do companheiro, 2º contra 3º. A diferenças eram pequenas, mas Sainz já começava a ver a pressão aumentar. Precisava reagir para se manter na briga pelo título. Até Helmut Marko, consultor da Red Bull, declarou torcer para seu desempenho melhorar, já que uma disputa interna na Ferrari poderia beneficiar Verstappen. 



Sainz teve fim de semana difícil na Austrália

Sainz teve fim de semana difícil na Austrália

Foto: Ferrari / Twitter

Mas isso não aconteceu. Pelo contrário. Sainz foi vítima de um azar tremendo na classificação do GP da Austrália e teve que abortar uma boa volta, a décimos de completá-la, graças a uma bandeira vermelha. Depois, não conseguiu ir além do 9º tempo. No domingo, seu carro sofreu de problemas na parte elétrica do volante, que precisou ser trocado às pressas por um que não estava programado para o procedimento de largada, caiu para 14º logo na partida e, no desespero de recuperar terreno rapidamente, errou e se viu atolado na brita.  

Leclerc foi o oposto. Fez uma pole com sobras, dominou a corrida inteira, venceu de ponta a ponta com mais de 20 segundos de vantagem para o 2º colocado e, de quebra fez a volta mais rápida prova. 

O resultado levou Leclerc a 71 pontos de 78 possíveis. Um incrível aproveitamento de 91%. Sainz atolou também no campeonato, empacando nos 33 pontos. A diferença entre eles, que era de 12 pontos, disparou para 38. 

Para se ter ideia do que essa distância significa, consideremos o seguinte cenário hipotético: Sainz encontra os décimos que estão faltando, vence com a melhor volta e Leclerc é 2º. Seriam necessárias nada menos que cinco corridas com esse resultado para que houvesse uma virada no campeonato. Se não acontecer algo muito fora da curva, a diferença se tornou bastante difícil de reverter. 

A relação entre os colegas de equipe poderia, eventualmente, virar um problema, caso os dois se vissem em equilíbrio no campeonato. A Ferrari poderia ter que optar por privilegiar um dos dois em algum momento, o que nunca é uma decisão fácil. Agora, com a longa distância que surge entre eles, uma ordem se formou sem intervenção da chefia. E assim deve continuar sendo ao longo do ano, com um piloto brigando por vitórias e outro lutando com Red Bull e Mercedes, acumulando pontos para o campeonato de Construtores.

Com sua atuação na Austrália, Sainz ajudou a Ferrari. Sem querer, ele deu a resposta que faltava para o time sobre quem será o primeiro piloto da equipe em 2022. E não será ele…



A foto é representativa: enquanto Leclerc é celebrado pela Ferrari, Sainz vai ficando de lado

A foto é representativa: enquanto Leclerc é celebrado pela Ferrari, Sainz vai ficando de lado

Foto: F1 / Twitter

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